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Educação Literária - Os Maias, de Eça de Queirós

Introdução             Os Maias , de Eça de Queirós, constitui umas das mais emblemáticas obras portuguesas do Realismo. Foi publicada em 1888.             Dada a natureza da obra, altamente influenciada pelo Realismo e Naturalismo, Os Maias são considerados um monumento literário, ou seja, um testemunho da vida portuguesa na segunda metade do século XIX. A obra é também reconhecida como o romance dos defeitos de Portugal, pela sua abrangência a nível da crítica social.             Mas afinal o que é o Realismo? Bom, o realismo é marcado pela procura em transmitir todo o real, independentemente do seu grau de complexidade. Desta forma, engloba temáticas relacionadas com a vida familiar, económica e cultural e social. Já o naturalismo baseia-se na hereditariedade, no ambiente, na educação e no momento histórico. ...

Educação Literária - Poesia trovadoresca

  Introdução             O surgimento da poesia trovadoresca remonta ao final do século XII, após a formação do Condado Portucalense, durante a Reconquista Cristã. Ainda assim, os poemas característicos deste género literário estudados em Portugal não são exclusivamente de origem lusa, uma vez que, naquela época, era usada uma língua denominada de galego-português, o qual apresentava marcas suficientemente distintas para ser considerada uma língua independente, ainda que englobasse todo o Noroeste da Península Ibérica. Nos dias de hoje, a língua galega usada no Noroeste de Espanha (Galiza) continua a apresentar muitas semelhanças ao português de Portugal (por exemplo, em galego, rua escreve-se “rúa”, enquanto em castelhano a mesma palavra se escreve “calle”).   Circunstâncias de produção             A poesia trovadoresca consiste em textos poéticos escritos p...

Educação Literária - Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira

Introdução           O Sermão de Santo António aos Peixes , pregado no século XVII por Padre António Vieira, um dos maiores pensadores da Época Moderna, constitui um dos vários sermões do missionário. A primeira pregação desta obra ocorreu no dia 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, no Brasil.             No século em questão, um pregador tratava-se de uma figura pública com poder, capaz de dominar e guiar pelas palavras ( delectare , docere , movere ) e influenciado pela estética barroca dominante naquela época, principalmente pelo aspeto da retórica e da arte de persuasão característica do Barroco. Ao contrário de outros grandes autores do seu tempo, Padre António Vieira opta por dar maior importância à verdade do que ao belo.             Durante o século XVII, o sermão não só foi o género literário predominante, como...

Educação Literária - Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Introdução             Frei Luís de Sousa , escrito por Almeida Garrett em 1843, constitui uma obra híbrida, na medida em que se trata tanto de um drama romântico como de uma tragédia clássica.             Esta obra surge num período em que a literatura portuguesa era altamente influenciada pelo movimento crescente do Romantismo, e no qual o autor denotou uma decadência dos valores nacionalistas, optando por ir contra a corrente e tentar trazer de volta esses mesmos sentimentos, através da forte incorporação desta temática em Frei Luís de Sousa . Embora a obra tenha sido escrito em pleno século XIV, a ação decorre 1599, que corresponde a um dos períodos mais negros da História da nação, nomeadamente os sessenta de domínio espanhol em Portugal (União Ibérica), entre os anos de 1580 e 1640.             Ao contrário do qu...

Educação Literária - Crónica de D. João I, de Fernão Lopes

  Introdução             A Crónica de D. João I , escrita por Fernão Lopes no século XV, consiste numa obra literária que relata um dos períodos mais marcantes da História de Portugal, bem como uma das batalhas mais icónicas da nação. Refiro-me, portanto, à crise dinástica entre 1383 e 1385 e à famosa Batalha de Aljubarrota.             A vida de Fernão Lopes, à semelhança de muitos outros grandes escritores portugueses da nossa História, como Gil Vicente e Luís de Camões, é pouca conhecida. Ainda assim, sabe-se que o autor teria sido responsável por escrever as crónicas da história geral do reino, até D. João I, sendo nomeado cronista-mor.             A Crónica de D. João I é uma narrativa longa, pensada e redigida com o objetivo de preencher os requisitos de uma crónica, nomeadamente registar os acontecimentos ...