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Educação Literária - Poesia trovadoresca

  Introdução             O surgimento da poesia trovadoresca remonta ao final do século XII, após a formação do Condado Portucalense, durante a Reconquista Cristã. Ainda assim, os poemas característicos deste género literário estudados em Portugal não são exclusivamente de origem lusa, uma vez que, naquela época, era usada uma língua denominada de galego-português, o qual apresentava marcas suficientemente distintas para ser considerada uma língua independente, ainda que englobasse todo o Noroeste da Península Ibérica. Nos dias de hoje, a língua galega usada no Noroeste de Espanha (Galiza) continua a apresentar muitas semelhanças ao português de Portugal (por exemplo, em galego, rua escreve-se “rúa”, enquanto em castelhano a mesma palavra se escreve “calle”).   Circunstâncias de produção             A poesia trovadoresca consiste em textos poéticos escritos p...

Educação Literária - Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Vieira

Introdução           O Sermão de Santo António aos Peixes , pregado no século XVII por Padre António Vieira, um dos maiores pensadores da Época Moderna, constitui um dos vários sermões do missionário. A primeira pregação desta obra ocorreu no dia 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, no Brasil.             No século em questão, um pregador tratava-se de uma figura pública com poder, capaz de dominar e guiar pelas palavras ( delectare , docere , movere ) e influenciado pela estética barroca dominante naquela época, principalmente pelo aspeto da retórica e da arte de persuasão característica do Barroco. Ao contrário de outros grandes autores do seu tempo, Padre António Vieira opta por dar maior importância à verdade do que ao belo.             Durante o século XVII, o sermão não só foi o género literário predominante, como...

Educação Literária - Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Introdução             Frei Luís de Sousa , escrito por Almeida Garrett em 1843, constitui uma obra híbrida, na medida em que se trata tanto de um drama romântico como de uma tragédia clássica.             Esta obra surge num período em que a literatura portuguesa era altamente influenciada pelo movimento crescente do Romantismo, e no qual o autor denotou uma decadência dos valores nacionalistas, optando por ir contra a corrente e tentar trazer de volta esses mesmos sentimentos, através da forte incorporação desta temática em Frei Luís de Sousa . Embora a obra tenha sido escrito em pleno século XIV, a ação decorre 1599, que corresponde a um dos períodos mais negros da História da nação, nomeadamente os sessenta de domínio espanhol em Portugal (União Ibérica), entre os anos de 1580 e 1640.             Ao contrário do qu...

Educação Literária - Crónica de D. João I, de Fernão Lopes

  Introdução             A Crónica de D. João I , escrita por Fernão Lopes no século XV, consiste numa obra literária que relata um dos períodos mais marcantes da História de Portugal, bem como uma das batalhas mais icónicas da nação. Refiro-me, portanto, à crise dinástica entre 1383 e 1385 e à famosa Batalha de Aljubarrota.             A vida de Fernão Lopes, à semelhança de muitos outros grandes escritores portugueses da nossa História, como Gil Vicente e Luís de Camões, é pouca conhecida. Ainda assim, sabe-se que o autor teria sido responsável por escrever as crónicas da história geral do reino, até D. João I, sendo nomeado cronista-mor.             A Crónica de D. João I é uma narrativa longa, pensada e redigida com o objetivo de preencher os requisitos de uma crónica, nomeadamente registar os acontecimentos ...

Educação Literária - Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente

  Introdução             A Farsa de Inês Pereira , escrita por Gil Vicente no século XVI, constitui uma sátira à sociedade quinhentista, sendo a própria Inês Pereira a protagonista da peça.             A obra apresenta uma estrutura tripartida, que acompanha a evolução da protagonista enquanto pessoa. As divisórias estabelecem-se nos seguintes momentos;   - 1.ª parte: Inês fantasiosa (versos 1-405); - 2.ª parte: Inês malmaridada (versos 406-912); - 3.ª parte: Inês quite e desforrada (versos 913-1115).               Ao se classificar como uma farsa, a obra apresenta também as seguintes características:   - Ação curta e concentrada; - Número reduzido de personagens; - O engano como tema central; - Representação do quotidiano; - Dimensão satírica e moralizadora.    ...