Texto Expositivo - Confronto entre a Nobreza e o Povo (Amor de Perdição)

                 Na obra Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, o autor decide abordar as diferenças entre a nobreza e o povo, de forma subtil e inteligente, com recurso às falas das personagens, tecendo, assim, uma crítica à sociedade da época.

            Em Amor de Perdição, a nobreza, à qual pertencem a maioria das personagens, surge como um grupo que se destaca por sobrevalorizar a honra. Tal é alvo de crítica constante por parte do narrador, uma vez que constitui o fator principal para a proibição do amor entre Simão e Teresa. Além disso, as intervenções deste grupo social são marcadas por um registo cuidado. Ainda assim, vale salientar que nem todos os membros da nobreza partilham estas mesmas características, nomeadamente o par amoroso da obra, que luta em defesa dos sentimentos individuais e do direito de amar.

            Já o povo, na obra, é representando, essencialmente, pelas falas de João da Cruz, as quais são marcadas pelo uso de um registo popular. Para tal, servem de exemplo os conselhos de João no Capítulo X, marcados pelo uso de provérbios populares, que traduzem a sua perspetiva conservadora e a sabedoria do povo, que revelam os conhecimentos da época.

            Concluindo, o autor põe em evidência as diferenças culturais entre a nobreza e o povo, além de concretizar a sua crítica à sociedade da época, que ainda se rege pela falsa virtude, honra e dever social, evitando a ascensão de valores relacionados com o amor e liberdade.

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