Texto Expositivo - Reflexões do poeta coincidentes com temáticas atuais (Os Lusíadas)
Embora haja uma grande diferença temporal entre o ano da publicação d’Os Lusíadas e os dias de hoje, muitas dos temas explorados por Luís de Camões nas reflexões do poeta, nos quais tece críticas à sociedade, são surpreendentemente atuais.
Logo no
Canto I, o poeta reflete sobre a fragilidade da condição humana, isto é, o
homem enquanto “bicho da terra tão pequeno”, após a tentativa de emboscada que
os navegadores portugueses sofrem por parte dos nativos em Mombaça. Neste excerto,
o poeta alerta para os perigos e incertezas constantes a que o ser humano está
sujeito. Na atualidade, esta temática poderá ser interpretada de diversas formas.
Por exemplo, existem desastres naturais como sismos e erupções vulcânicas que
até hoje não temos forma de prever, e tratam-se também de dois incidentes que
facilmente podem devastar cidades ou mesmo regiões inteiras, dependendo da sua
intensidade. Dentro da mesma temática, também poderíamos mencionar doenças
terminais, como cancros ou doenças neurodegenerativas, para as quais ainda não temos
uma forma real e eficiente de tratar.
Já no Canto
VIII, enuncia as suas considerações acerca do poder corruptor do dinheiro. Esta
reflexão dá-se após a chegada da frota portuguesa à Índia, onde o Catual, por
influência de Baco, pede aos portugueses que entreguem as suas mercadorias a
fim de lhes ser permitida a partida. Neste excerto, o poeta reflete sobre a capacidade
que o dinheiro possui de corromper os vários estratos sociais, em particular as
elites. Nos dias de hoje, esta influência negativa do dinheiro continua a ser
bem visível na sociedade, estando especialmente presente nas classes mais altas,
assim como referiu Camões no século XVI. Muitas grandes empresas e os respetivos
CEO’s são frequentemente levados pela ganância, ou seja, a vontade de querer sempre
mais dinheiro, o que, por vezes, tem o efeito contrário daquele que era o desejado,
além de manchar a imagem dessa mesma companhia.
Concluindo,
apesar do carácter glorioso que a epopeia em questão assume do início ao fim,
Luís de Camões aproveita também para refletir e tecer fortes críticas à
sociedade, as quais se enquadram notavelmente bem no mundo em que vivemos em pleno
século XXI.
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