Texto Expositivo - Patriotismo (Crónica de D. João I e Os Lusíadas)

               Tanto a Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, como Os Lusíadas, de Luís de Camões, partilham um dos pontos centrais das suas obras, nomeadamente o valor atribuído à Pátria.

            Na primeira obra, a defesa da Pátria e da identidade nacional, a fim de garantir a independência de Portugal, constitui o objetivo principal. Perante a ameaça e posterior invasão e cerco por parte dos castelhanos a Lisboa, o povo da cidade une-se para sobreviver e resistir aos invasores, tomando, assim, um espírito de sacrifício, valentia e determinação na recolha de mantimentos e na defesa da capital. Esta característica é partilhada por toda a população lisboeta, que surge como uma personagem coletiva. Deste modo, dá-se a afirmação da consciência coletiva, onde são valorizados os sentimentos nacionalistas, as demonstrações de coragem, o apoio ao Mestre de Avis e, sobretudo, a Pátria. Após a queda do cerco castelhano, dá-se a Batalha de Aljubarrota, onde os portugueses saem vencedores e, portanto, conclui-se que os esforços da população durante este período não foram em vão.

            Quanto à segunda obra, Luís de Camões procura, em diversos momentos da sua epopeia, elevar os portugueses a uma condição divina, especialmente os navegadores que se aventuraram no mar e que concluíram o ser objetivo, nomeadamente chegar até à Índia por mar. Esta glorificação dá-se, essencialmente, através de uma valorização progressiva dos heróis, após ultrapassarem os vários obstáculos e entidades que surgirem, entre as quais figuras mitológicas oponentes, como Baco, culminando, assim, no episódio da Ilha dos Amores. É neste episódio que os navegadores portugueses vêm recompensadas a sua proeza, e dá-se, oficialmente, a mitificação do herói, através da obtenção da imortalidade.

            Concluindo, o patriotismo não só constitui uma das temáticas principais de ambas as obras, como também serve de mecanismo para a glorificação do país e do povo lusitano.

Comentários

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  2. O texto está bem estruturado e compreende-se que ambas as obras faladas têm como objetivo glorificar a pátria portuguesa. Neste texto fala apenas sobre o patriotismo presente nos Lusíadas mas Camões também critica Portugal quanto ao desprezo pelas artes e a corrupção moral da sociedade, por exemplo. "Os Lusíadas" até podem imortalizar os feitos do Portugueses, mas será que o autor (Camões) possui esse espírito patriótico quando nas Reflexões do Poeta critica Portugal?

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    1. Excelente observação. Muitas vezes associamos Os Lusíadas, e o próprio Camões, ao período mais glorioso do Império Português, que se deu pela expansão marítima e por outros grandes feitos, tais como a descoberta do caminho marítimo para a Índia, tal como o autor narra na epopeia.
      Ainda assim, o poeta interrompe por vezes o discurso glorificador, e apresenta as suas reflexões pessoais, nas quais tece críticas à sociedade e até aos portugueses e à sua Pátria. Tal como disseste, e muito bem, Camões expõe não só o menosprezo dos portugueses pelas artes e pelas letras, bem como o “gosto da cobiça” que domina o reino.
      Portanto, para concluir, é verdade que Camões critica a própria nação n’Os Lusíadas, porém gosto de acreditar que o poeta o faz para ajudar os portugueses a reconquistarem a sua glória, por acreditar verdadeiramente no seu potencial, e não para diminuir o seu valor. Logo, no meu ponto de vista, Luís de Camões jamais coloca o seu espírito patriótico de lado ao escrever a sua famosa epopeia.

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