Texto Expositivo - Semelhanças entre Maria de Noronha (Frei Luís de Sousa) e Teresa (Amor de Perdição)

              Apesar de se tratarem de personagens criadas por dois escritores portugueses diferentes durante a época do Romantismo, tanto Maria de Noronha, em Frei Luís de Sousa, como Teresa, em Amor de Perdição, apresentam muitas características semelhantes.

            Na primeira obra, Maria é retratada como um “anjo”, sendo a mesma responsável por influenciar muitos dos comportamentos das outras personagens, nomeadamente Madalena, Manuel e Telmo. A preocupação pela filha é destacada em vários diálogos ao longo de toda a obra, direta ou indiretamente, com o medo de que Maria se torne ilegítima, caso que viria a ser confirmado no final da obra. Já Teresa, em Amor de Perdição, partilha esta mesma característica com Maria, na medida em que é ela quem motiva as ações do protagonista, Simão, que tenta de tudo, a fim de poder concretizar o seu amor por Teresa, até não ser mesmo possível, dados todos os obstáculos que surgiram. Deste modo, ambas as personagens assumem um foco de extrema relevância para as personagens de cada obra, apesar de não contribuírem tanto para o desenrolar da história de forma direta.

            Por outro lado, Maria é também caracterizada como uma personagem frágil e sensível em Frei Luís de Sousa. Ao longo de toda a obra, são dadas referências do agravamento do estado de saúde de Maria, que morre de forma física e psicológica no final da peça – morre por tuberculose e morre “de vergonha”, dada a sua ilegitimidade, respetivamente. Já na segunda obra, Teresa apresenta-se, também, como uma personagem frágil e sensível, a qual morre por doença no final da peça, após o sofrimento amoroso que viveu por largos anos. Este acontecimento marca o fim da esperança de que o amor se concretizasse, com a ida de Simão para o degredo, aonde nunca chega, pois também morre por doença na viagem.

            Concluindo, tanto Maria de Noronha como Teresa partilham a sua influência e fragilidade, características que são altamente responsáveis por moldar cada uma das obras, apesar das suas personalidades terem sido criadas por dois escritores diferentes.

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